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  • Deise Jacinto

Sobre a maternidade e outras coisas...



Eu sei que faz tempo que não escrevo por aqui e nem apareço com frequência nas redes sociais, fique tranquilo, só ando me respeitando e curtindo cada novidade na minha primeira gestação.


Eu nem sempre tive certeza que queria ser mãe, quem convive comigo mais de perto levou um baita susto com a notícia. Nos últimos tempos fui gostando demais da minha liberdade sem filhos, digo absolutamente por mim, já que entre eu e meu marido, o meu desejo sempre pesou mais neste assunto.

Quando percebi que estava me apegando demais a essa liberdade, olhei para frente e senti que talvez, lá no final, eu teria em mãos uma história sem grandes emoções pra contar. O que pode ser uma grande besteira. Não me entenda mal, isso foi o que eu senti, jamais terei certeza que seria assim e tão pouco estou afirmando que a vida de quem não pôde ou escolheu não ter filhos é sem emoção, não!


Mas o que me fez abrir para esta possibilidade foi querer notar em mim esse milagre acontecendo e a curiosidade de me transformar em alguém que não conhecia, enquanto vejo a vida crescer.


Qualquer experiência humana para um artista tem um sabor diferente, a maternidade então, talvez seja a mais profunda. Como diz Laura Gutman é de fato um “ encontro com a própria sombra”. Esse encontro em si é matéria prima, não é nada simples e inevitavelmente mexe com a gente de muitas formas. Apenas deixei o caminho aberto para essa possibilidade e me dei um prazo de um ano, por conta da idade, não quis arriscar mais que esse tempo. O fato é que para a minha surpresa depois 3 meses engravidei. Entendi, abracei com amor esse presente e aqui estou chegando na reta final com 35 semanas de uma gravidez tranquila (por enquanto) e reservada em meio a uma pandemia.


Durante este tempo escrevi 3 canções e ganhei uma de presente, elas vão fazer parte de um EP bem maternal e doce que já está sendo preparado com muito carinho.

Sempre disse que minha vida e arte não se separam e embora isso possa parecer contraditório, porque sou mais discreta em mostrar minha intimidade, quando se trata de música, meus álbuns são ilhas que vou conhecendo durante essa grande expedição da vida. Cada ilha é um convite ao novo e conta um pedaço das minhas alegrias e dilemas. É desse jeito que prefiro ser conhecida. Me recuso a sucumbir aos algoritmos frenéticos e ser mais uma artista a alimentar essa ansiedade tão destrutiva do nosso tempo. E acredite, se fosse diferente você não estaria aqui me acompanhando. Não é todo dia que tenho algo a dizer, porém todo dia tenho algo a viver.


Hoje, só passei pra dizer que volto logo pra te apresentar a última nova ilha que descobri e assim poder dividir com você a beleza e o peso da minha expedição.


Um beijo e

até breve!!! 💛

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